quinta-feira, 18 de agosto de 2011

" Às vezes não sabemos o que fazer da vida, vimos os dias sucederem-se num comboio perdido e sem estações, conduzido por um maquinista louco, que não faz a mínima ideia onde acaba a linha e o pior é que também não quer saber. E depois existem aqueles dias em que só nos apetece parar o tempo, os ponteiros de tal relógio, quando ali nasce e cresce uma história, difícil de escrever, fácil de sonhar. Se as saudades matam? Tenho a certeza que sim. Parte de mim morreu quando nos deixamos de falar! 
Porquê? É esta a pergunta que mais vezes tento encontrar explicação.
Tudo era perfeito, poucas amizades haviam assim. Do nada tudo se foi! Pode ser imaginação da minha cabeça, mas a única explicação que me ocorre é as influências de alguém, de alguém que não gosta de mim ou então que não gostava da nossa amizade!
Não sabemos há quanto tempo foi, o tempo nunca conta quando se começa uma viagem, não conta o sono porque sobra sempre pouco tempo para dormir, mas ainda hoje não tenho medo de viajar no mundo que conhecemos e construímos para estarmos juntas como refugiadas que se encontram no caminho e decidem partilhar o mesmo destino.
Agora olho para trás e percebo que andavas por aí, mas como és discreta e sossegada nunca te consegui ver ou tu a mim, mesmo quando tu ou eu nos via-mos por todo o lado. Não sei como desistimos, mas a verdade é que nunca deixamos de sonhar, nunca deixamos de acreditar que a vida nos podia dar o que queríamos e merecemos e se calhar é por isso que as pessoas confiam em ti quando lhes vendes os teus sonhos em folhas cheias de histórias e de desejos.
Quando me sento na mesa das memórias para limpar a alma e fazer chegar ao Mundo as minhas palavras, penso muito no nosso cantinho. Estás nas músicas que me deliciam os ouvidos e às vezes vejo-te à janela.
É bom ver-te nesta caixinha, tão silenciosa e secreta, guardada nas palavras dos poetas, como quem vive na cartola de um ilusionista, como quem escolheu o seu lugar do lado de fora, a fazer viver e a esquecer-se de tal. Talvez queira, só não sei quando pedir sem nada te dizer para não saíres da minha vida, porque não quero voltar ao caminho dos refugiados, não me apetece desistir, deixar de acreditar, voltar atrás e ter de esquecer o que nos foi importante, quando tu me disseste, dessa vez com palavras, que estavas igual a mim, um bocado farta da solidão povoada, de acordar e fingir que está tudo bem, que é só mais um dia para à noite mergulhares no casulo ao lado onde ninguém te via e tu não vias ninguém.
Há coisas que não mudam; os caminhos são os mesmos, o rosto desta gente não mudou, é o mesmo, as árvores, as pedras, o rio, a montanha, continua tudo com esta continuidade de igualdade. Não mudou nada, eu não mudei e continuo a pisar as pegadas que deixei ontem, depois, depois, só porque, quanto mais tentamos varrer o passado, mais o pó acumulado levanta, faz relembrar o que escondia e, quando pousa novamente, já as coisas que escondia não estão lá, estão sim num outro sitio; é o coração, a bombear não o sangue, mas as recordações que guardava/guarda sentimentalmente. "

Hoje enviaram-me esta mensagem e até agora não consegui parar de reflectir sobre ela, pois muitas das vezes senti isto e nunca o consegui expressar de uma forma tão clara. 
Por vezes caimos em erros fatais, criamos laços com alguém, vivemos tempos fantásticos ao lado dessa pessoa e, a determinada altura, de dia para dia, as coisas modificam-se e começam a apagar-se lentamente. Penso que isto já aconteceu com (praticamente) toda a gente,  estarei enganada? Mais tarde, sentimos falta desse alguém e só desejamos que o tempo voltasse para tras, desejamos nunca ter conhecido essa ausência e discretamente mostramos ao outro aquilo que estamos a sentir, mas na verdade, não somos corajosos o suficiente para dizermos directamente aquilo que queremos e tomarmos uma atitude firme.
E à remetente desta mensagem, eu só posso agradecer pela excelente atitude que teve ao enviar-me este texto e ter reavivado todos os sentimentos que (ainda) habitam no meu coração, depois de tanto tempo afastados, e ainda para mais, sem uma explicação certa para tal sucedido.


As saudades são muitas, as recordações ainda mais e o desejo de te poder abraçar e de ter ao meu lado ainda ultrapassa tudo isso!                              

10 comentários:

  1. Se estiveres interessada de continuar a seguir o meu blog, faz um comentário no meu blog com o teu mail, vai começar a ser privado :) Beijinhos

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  2. gostei muito +.+
    siim, sábado vai ser fantástico :DD

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  3. O mail com que entras para o teu blog :)

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  4. tenho é pena de não ir hoje :(
    és um amor, amo-te <3

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  5. O teu blog é lindo, estou a seguir-te :$
    *

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  6. Obrigada querida, gostei mesmo deste texto :)

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